Cientistas apostam na detecção da doença através de exames de rotina e até vestimentas inteligentes E lá vamos nós para o admirável mundo da ciência, que volta e meia nos traz um sopro de esperança.

Na luta contra o Alzheimer, os esforços vêm se concentrando na detecção precoce da doença, e da forma menos invasiva possível.

Cientistas do Instituto Regenstrief, ligado à Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, concluíram que as informações armazenadas nas visitas de rotina ao médico são suficientemente detalhadas para predizer o risco de uma pessoa desenvolver algum tipo de demência – basta que a inteligência artificial se encarregue delas. Estudos sobre a demência: o objetivo é a detecção precoce da doença Gerd Almann por Pixabay/https://pixabay.com/pt/photos/dem%C3%AAncia-mulher-idade-63608/ Nos EUA, pelo menos 50% dos idosos com Alzheimer e outras enfermidades semelhantes não chegam a receber um diagnóstico.

Além disso, muitos apresentam sintomas entre dois a cinco anos antes de serem diagnosticados.

Por fim, os testes existentes para mapear a doença são caros e invasivos.

Com tantas dificuldades em jogo, os pesquisadores criaram um sistema de algoritmos que utiliza os registros médicos e é capaz de identificar as chances de um paciente vir a enfrentar a demência.

É o que se chama de “machine learning”: quanto mais dados são disponibilizados, mais precisas e aprofundadas as análises realizadas. O médico Malaz Boustani, que coordena o trabalho e também dá aulas na universidade, afirma que o melhor do método é o fato de conseguir ter eficiência equivalente à dos exames tradicionais.

“O custo é baixo e, por isso, pode ser usado em grande escala, beneficiando os pacientes e suas famílias.

Assim, eles poderão se preparar para a possibilidade de conviver com a enfermidade, tomando as providências necessárias.

Sabemos que lidar com o problema é um enorme desafio”.

O time de pesquisadores inclui cientistas outras instituições de prestígio e o estudo foi publicado no “Journal of the American Geriatrics”. Para “treinar” os algoritmos, foram usadas diferentes informações de uma rede de pacientes atendidos em Indiana: resultados de exames, receitas prescritas e até observações feitas pelos médicos.

O mais interessante é que essas anotações, inclusive feitas à mão, se mostraram extremamente úteis para alimentar o sistema e aperfeiçoar os prognósticos.

Resumo da ópera: precisamos de um banco de dados abrangente porque ele será o retrato fiel de cada indivíduo.

Em outra frente, o Reino Unido, onde há 850 mil pessoas com demência, também trabalha na detecção precoce da doença através de roupas inteligentes.

De acordo com reportagem da BBC, essas vestimentas, conhecidas em inglês como “wearables”, poderão coletar dados de voluntários como batimentos cardíacos, padrão de sono e qualidade de marcha.

Num prazo de até três anos, espera-se ter um modelo capaz de analisar informações que forneçam pistas do risco do Alzheimer antes de suas primeiras manifestações.