O pecado atingiu o ser humano por completo.

Inclusive em sua natureza biológica e social.

De modo que a forma como o sexo (biológico) se manisfesta na cultura (social) nunca o será, plenamente, como Deus delineou para a humanidade.

Porque nada ficou sem ser permeado pela desobediência de Adão.

O meio ambiente foi atingido (desastres, desordens, esgotamento de recursos, destruição ambiental, mudanças climáticas).

A organização econômica, também (desigualdade, exploração, lutas de classes ).

O casamento idem (vide o divórcio, machismo, feminismo, patriarcado, negligência).

Da mesma forma, o sexo e seus derivativos (homossexualidade, heterossexualidade sem a benção de Deus, poligamia, androginia, transsexualidade, etc).

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADEIsso implica em argumentar que ter ou não ter um órgão X ou Y não é suficiente para a definir a relação homem X mulher, porque o princípio desta relação é mais moral que biológico.

O biológico é uma base, mas é uma base também corrompida.

Na verdade, a desobediência criou uma separação entre biologia e moral.

Entre natureza e cultura.

A natureza biológica, mesmo corrompida, é limitada porque existe uma “engrenagem” biológica que vai se auto regulando, muito no sentido da preservação da espécie, o que implica em arranjos majoritariamente heterossexuais.

Dito de outro modo, a biologia, em si, possui suas desordens de sistema (aqui poderia ser pensado um paralelo com a 2ª lei da Termodinâmica), mas numa variável pequena, pois funciona dentro de um sentido de reprodução da vida.

Já a moral é uma estrada sem fim.

É o mundo das possibilidades, um reino da razão humana.

A moral venceu a biologia com o nascimento da cultura e com o desenvolvimento do saber humano.

Quer dizer, a decisão de “ser ou não ser” se sobrepôs ao instinto.

A questão é que esse desenvolvimento cultural não seguiu a rota indicada por Deus.

O gênero, por exemplo – originalmente estabelecido como uma forma didática do próprio Deus de criar distinções, identidades e papéis para homem e mulher – se tornou corrompido.

No começo, numa luta entre homem e mulher.

Depois, numa dominação masculina.

E, hoje, numa crise dessas próprias definições.

O ponto é que homem tomou as rédeas da moralidade.

Passou a dizer o que é bom e o que é mau.

E aquela escolha edênica sobre o que se deveria comer ou não – que era um primeiro ensinamento de Deus sobre crescimento moral: a obediência – passou a ser um assunto determinado pela vontade humana, que é uma marca fundante da modernidade.

Esse caminho percorrido pela evolução humana indica que não restou pedra que não tenha sido esmagada pela desobediência.

Porque, na verdade, ninguém pode experimentar o mal sem se tornar mau.

Biologia, carne, ossos, DNA, natureza, vida econômica e social foram totalmente corrompidos.

Daí não restar área da nossa vida humana que não necessite de um novo nascimento.

Isso vale tanto para o sexo biológico quanto para a organização social das coisas.

Ou seja, abrange tudo.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADEDe tudo isso que temos exposto, o ponto que fica para nós, no tocante à dimensão sexual moderna é: se a igreja quiser agir melhor neste assunto, abordando-o com lucidez, é necessário compreender o desenvolvimento da moral ao longo do tempo.

É preciso fazer uma espécie de genealogia do pecado na história.

Ver como ele foi construído e como pode ser, não destruído, mas transformado pela renovação da mente via Palavra de Deus.

Não é fácil, mas, um primeiro passo à frente, talvez, signifique retornar um pouco atrás na compressão.

Observar como a psicologia, a sociologia e a biologia tem visto esse assunto, sabendo que há descobertas nessas área que, mesmo não sendo protagonizadas por pensadores cristãos, podem nos fazer refletir, no mínimo, e ajudar-nos na construção de uma “ciência social cristã”.

Um outro passo seria ter claro que, num mundo decaído, ser homem e mulher segundo Deus vai ser sempre uma decisão.

Porque nem a biologia, nem a natureza são suficientes para determinar e explicar as escolhas que cada indivíduo vai ter sobre sua vida sexual, por exemplo.

Primeiro, porque a natureza e a biologia pré-desobediência não existem mais.

Segundo, porque a cultura, progressivamente, prevaleceu sobre os instintos.

Hoje, o corpo também é uma questão política.

De forma que tudo hoje, mais do que nunca, envolve processos decisórios, escolhas.

  Seja em não fazer sexo antes do casamento, em não ver pornografia, em não adulterar, em ser marido de uma só mulher, em não se divorciar, em não se relacionar com pessoas do mesmo sexo.

Trata-se de dizer não à nossa natureza e cultura decaídas.

E, em vindo tentações de natureza política ou “instintiva” para deixar a relação edênica por uma relação moderna, convém lutar e pedir a graça de Deus para que nos mantenhamos firmes.

Pois é somente a graça que nos torna vivos num mundo morto pelo pecado.